Os amigos são a familia que escolhemos. É o que dizem, mas não sei se estou totalmente de acordo.
Há vários tipos de amizades: as almas gémeas, as que são a tal familia que escolhemos, as que duram uma vida, as que duram parte de uma vida, as sazonais, as de oportunidade, as que vêm por acréscimo e as de ocasião (que são aqueles a quem normalmente a maioria das pessoas designa de conhecidos). Eu tenho de todos os tipos.
As almas gémeas são aquelas que são a nossa metade (ou metade da metade da metade, e por aí fora). Para mim uma alma gémea não tem que ser (no meu caso até nem é) a pessoa com quem escolhemos passar o resto (ou parte) da nossa vida, e isto sem qualquer prejuízo para a relação. Uma alma gémea é alguém que nos conhece como seres transparentes, alguém que nos acompanha, alguém que não precisa de palavras para comunicar connosco. Não temos que ter só uma, não é uma coisa unipessoal. Como somas de metades de almas do mundo, parvo seria termos somente uma alma gémea.
A tal familia que escolhemos são aqueles amigos que o tempo passa, passa, passa, e já estão tão envolvidos na nossa história, na nossa vida, que já nem conseguimos apontar em que altura da mesma eles entraram, porque nos são tão intimos e familiares que parece que sempre estiveram ali. São os amigos da bebedeira, os padrinhos de casamento, quem nos fica com os filhos quando precisamos. São aqueles a quem ligamos, em lágrimas, às 4h da manhã porque o nosso namorado acabou connosco. São aqueles a quem ligamos, entre lágrimas e gargalhadas, às 7h da manhã de um domingo a dizer que finalmente vai haver casamento, ou que a cria vem a caminho. São aqueles que não nos passando a mão pelo pêlo, nos vão ser sinceros e aguentar estoicamente do nosso lado estejamos certos ou errados.
As que duram uma parte da vida são aqueles amigos do secundário dos quais perdemos rasto (e só voltámos a encontrar graças ao Santo Facebook) assim que o 12º ano findou. São os amigos da primária, que ficaram lá atrás quando mudámos da C+S para a Secundária. São aqueles que passamos a cumprimentar quando nos cruzamos nos recreios (ainda se diz recreios?) ou páteos ou corredores da escola depois de termos mudado de área no 9º ano. É a malta da tuna da faculdade. São os amigos que moravam lá no bairro e que se juntavam na rua, nas noites de verão, antes de podermos alargar os horizontes dali em diante.
As sazonais são as de férias. Os amigos do Algarve, ou os da terra dos avós. Amizades que duram de Julho a Setembro, e que nos restantes 9 meses ficam em banho Maria.
As de oportunidade são os da fase mais adulta. São aqueles colegas de faculdade de quem queres as sebentas para estudar para as frequências. São aquelas pessoas chave, a quem dá um jeitaço associares-te quando entras na empresa.
As que vêm por acréscimo são os amigos dos amigos, do namorado, do marido, dos irmãos. Regra geral têm a mesma duração que o relacionamento do qual advêm tem.
As de ocasião, ora esse são os amigos que só encontramos na festa de aniversário de outrém. Ou no casamento de um grupo de amigos em comum.
Mas há uma coisa em comum a todos os tipos. Estas relações só duram o tempo que uma das partes queira que dure. Uma vez decidido por um, ou por ambos, que a relação tem um fim, o elo quebra-se, e querer persistir nele é uma desvirtuação da relação. Ninguém está bem sendo obrigado a estar, a gostar, a compartilhar e a privar. O elemento que rompe o laço começa a resguardar-se, a afastar-se, a criar manobras, a soltar amarras - primeiro lentamente para não ferir susceptibilidades, depois com mais desapego, cansado da imposição.
Ás vezes vale a pena insistir na relação, e tentar remendar a coisa, o estrago não é grande, os elos são fortes e genuínos e consegue-se dar a volta por cima. Outras vezes não, e temos que deixar andar, cada qual seguir o seu caminho, e não nos saturar ou saturar outros em prol de um grupo comum, ou de um passado que já não é presente e muito menos futuro.
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